sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Carta ao Prefeito - Rubem Braga

Carta ao Prefeito

sexta-feira, 5 de junho de 2009.

Senhor Prefeito do Distrito Federal


Eu sou um desses estranhos animais que têm por habitat o Rio de Janeiro; ouvi-me, pois, com o devido respeito. Sou um monstro de resistência e um técnico em sobrevivência - pois o carioca é, antes de tudo, um forte. Se às vezes saio do Rio por algum tempo para descansar de seus perigos e desconfortos (certa vez inventei até ser correspondente de guerra, para ter um pouco de paz) a verdade é que sempre volto.

Acostumei-me, assim, a viver perigosamente. Não sou covarde como esses equilibristas estrangeiros que passeiam sobre fios entre os edifícios. Vejo-os lá em cima, longe, dos ônibus e lotações, atravessando a rua pelos ares e murmuro: eu quero ver é no chão.
Também não sou assustado como esse senhor deputado Tenório Cavalcanti, que mora em Caxias e vive armado; moro bem no paralelo 38, entre Ipanema e Copacabana, e às vezes, nas caladas da noite, percorro desarmado várias boates desta zona e permaneço horas dentro da penumbra entre cadeiras que esvoaçam e garrafas que se partem docemente na cabeça dos fiéis em torno. E estou vivo.
Ainda hoje tenho coragem bastante para tomar um ônibus ou mesmo um lotação e ir dentro dele até o centro da cidade. Vivo assim, dia a dia, noite a noite, isto que os historiadores do futuro, estupefatos, chamarão a Batalha do Rio de Janeiro. Já fiz mesmo várias viagens na Central. Eu sou um bravo, senhor.
Sei também que não me resta nenhum direito terreno; respiro o ar dos escapamentos abertos e me banho até no Leblon, considerado um dos mais lindos esgotos do mundo; aspiro o perfume da curva do Mourisco e a brisa da Lagoa e -sobrevivo. E compreendo que, embora vós administreis à maneira suíça, nós continuaremos a viver à maneira carioca.
Eu é que não me queixo; já me aconteceu escapar de morrer dentro de um táxi em uma tarde de inundação e ter o consolo de, chegando em casa, encontrar a torneira perfeitamente seca.
Prometestes, senhor, acabar em 30 dias com as inundações no Rio de Janeiro; todo o povo é testemunha desta promessa e de seu cumprimento: é que atacaste, senhor, o mal pela raiz, que são as chuvas. Parou de chover, medida excelente e digna de encômios.
Mas não é para dizer isso que vos escrevo. É para agradecer a providência que vossa administração tomou nestas últimas quatro noites, instalando uma esplêndida lua cheia em Copacabana. Não sei se a fizestes adquirir na Suíça para nosso uso permanente, ou se é nacional. Talvez só possamos obter uma lua cheia definitiva reformando a Constituição e libertando Vargas.
Mas a verdade é que o luar sobre as ondas me consolou o peito. E eu andava muito precisado.

Obrigado, Senhor.

Rubem Braga - Rio, junho de 1951

Encômios – elogios – louvores

1) A partir de pistas presentes no texto, como é possível escrever o ambiente em que o personagem vive; rural ou urbano? Como você pode perceber?



  1. A partir da leitura do texto, podemos afirmar que a crônica foi escrita com a estrutura de uma carta? Justifique sua resposta.



  1. No texto, a personagem manifesta alguns sentimentos com relação ao local em que vive. Quais são esses sentimentos?



  1. No final do texto o autor diz; “ Prometestes, senhor, acabar em 30 dias com as inundações no Rio de Janeiro; todo o povo é testemunha desta promessa e de seu cumprimento: é que atacaste, senhor, o mal pela raiz, que são as chuvas Parou de chover, medida excelente e digna de encômios.” De fato, o autor quer elogiar o prefeito? Justifique a resposta.





  1. A partir das respostas anteriores qual é a ideia principal do texto?

  1. Essa crônica foi escrita em 1951. Os problemas apresentados no crônica existem hoje em dia?Oque você acha dessa situação?



  1. Escreva uma carta a um amigo(a) contando sobre os problemas de sua cidade.



RESPOSTAS



  1. O personagem vive em um ambiente urbano. Ele menciona que vive no Rio de Janeiro, toma ônibus, pega lotação, etc.

  1. Sim, apesar de ser uma crônica, o autor produziu com a estrutura de uma carta, apresentando a saudação inicial, o corpo do texto e a despedida.



  1. A personagem parece triste com a realidade da cidade ( enchente, falta de água, violência, etc.)mas ao mesmo tempo, admira suas belezas, como o luar que pousa sobre as águas.



  1. Não, o autor não que eleogiar o prefeito, parece que ele está brincando.

  1. Fazer uma crítica em relaçao a atuação do prefeito.

  1. Sim, os problemas como enchente e violência são muitos comuns hoje em dia ( RESPOSTA PESSOAL)

  1. RESPOSTA PESSOAL

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O cachorro engraçadinho - Cecília Meirelles

O cachorro engraçadinho

Cecília Meirelles


Há coisa mais triste que um menino sem irmãos nem companheiros,

fechado num apartamento ? Foi por isso que a família resolveu arranjar um

cachorrinho para brincar com o filho único. Os brinquedos, afinal, são

máquinas e acabam por enfastiar; o cachorrinho é um brinquedo vivo, quase

humano, o melhor amigo do homem etc. E veio o cachorrinho, muito

engraçadinho. Todos os cercaram, encantadíssimos. Dizem que os cães

sempre se parecem com os seus donos: este parecia-se com os donos, com

os amigos dos donos e até com os empregados da casa. Não se pode ser

mais amável. Era pretinho, lustroso, com umas malhas cor de mel em certos

lugares do focinho e do corpo. Orelhas sedosas e moles, e um rabinho que o

menino logo descobriu poder funcionar como manivela. E assim o utilizou.

O cachorrinho também parecia contentíssimo, e pulava para cá e para

lá, e às vezes parecia um cavalinho em miniatura. Mas era uma miniatura

Pinscher.

Não era só engraçadíssimo; era inteligentíssimo. Se lhe ensinassem,

creio que chegaria a atender o telefone. Instalou-se no apartamento como se

fosse o seu principal habitante. A vida passou a girar em torno dele. Deramlhe coleira, casaquinho, osso artificial para brincar, puseram-lhe nome,

compraram-lhe biscoitos. Pensando bem, era muito mais feliz que o menino

de cuja felicidade se cogitava. Talvez ele até entendesse o que diziam a seu

respeito, pois a cozinheira reparou que sua inteligência excedia a das

criaturas humanas. Via-o fitar um ponto no vazio, acompanhar uma presença

invisível, para a qual latia, demonstrando ser um animal dotado de poderes

sobrenaturais: um cãozinho vidente. Nessas condições, nem precisava

entender a nossa linguagem: podia captar diretamente os pensamentos...

O cachorrinho engraçadinho recebia as visitas com grande efusão.

Mordia-as de brincadeira nas pernas e nos braços, às vezes puxava um fio

de meia - mas era muito engraçadinho - dava saltos verticais que nem um

bailarino, e, como estava na muda dos dentes, babava as pessoas com muito

entusiasmo e de vez em quando deixava cair por cima delas um de seus

dentinhos, tão brancos e primorosos que pareciam de matéria plástica.

Além de receber as visitas, o cachorrinho engraçadinho sentava-se ao

lado delas, acompanhava com os olhos as suas expressões, despedia-se

delas com muita gentileza.

Acostumou-se de tal modo à família que não quis mais dormir sozinho,

passou a ocupar o melhor lugar das camas, como ocupava o das poltronas.

E quis também comer à mesa, escolhendo uma cadeira e colocando as7

40

E quis também comer à mesa, escolhendo uma cadeira e colocando as

patinhas no lugar que a etiqueta recomenda, e que já bem poucas pessoas

conhecem como se pode observar em qualquer restaurante.

Até certo ponto o cachorrinho engraçadinho foi um divertimento, salvo

quando molhava os tapetes ou as almofadas.

¸ Vocabulário

artificial - postiço, fabricado, não natural

captar - entender, compreender

cogitar - pensar, raciocinar, imaginar

dotado - favorecido, beneficiado, que tem o dom natural

efusão - fervor de amizade, com grande alegria

enfastiar - entendiar, aborrecer

etiqueta - conjunto de cerimônias no trato de muitas pessoas, regra estilo

exceder - superar, ultrapassar

fitar - olhar, fixar a vista, o pensamento, a atenção em alguma coisa

lustroso - reluzente, brilhante, polido

Pinscher - raça de cachorro de baixa estatura e de porte pequeno

primoroso - perfeito, distinto, excelente

salvo - exceto, afora

sedosos - que tem seda, semelhante à seda, peludo, macio

sobrenatural - superior ao natural, excessivo, sobre-humano, que excede as forças

da natureza, que não tem explicação

vidente - que profetiza, que tem a faculdade de visão sobrenatural de cenas futuras

II - Conhecendo o Texto

A T I V I D A D E 1

1 - Explique com suas palavras as frases abaixo, considerando que o sentido da

palavra artificial é o mesmo do texto.

a) Sentia uma alegria artificial.


b) Deram-lhe um osso artificial.


c) Comprei flores artificiais na floricultura.


d) O cachorrinho tinha uma vida artificial.


2 - Reescreva as frases, substituindo as palavras sublinhadas por sinônimos.

Consulte o vocabulário do texto ou o dicionário.

a) "Os brinquedos, afinal, são máquinas e acabam por enfastiar".


b) Pensando bem, era muito mais feliz que o menino de cuja felicidade se

cogitava".

______________________________________________________________


c) "Sua inteligência excedia a das criaturas humanas".


d) "Nem precisava entender a nossa linguagem: podia captar diretamente os

pensamentos".


Nas questões de 3 a 5, assinale com um ( X ) a opção que melhor explique o

significado das palavras nas frases.

3 - "O cachorrinho engraçadinho recebia as visitas com efusão".

a) (__) timidez

b) (__) fervor de amizade

  1. (__) balançando o rabinho

4 - "O cachorrinho foi um divertimento, salvo quando molhava os tapetes ou as

almofadas".

a) (__) afora

b) (__) contrário

  1. (__) permitido


5 - "E quis também comer à mesa, escolhendo uma cadeira e colocando as patinhas

no lugar que a etiqueta recomenda".

a) (__) costume

b) (__) selo de compra

  1. (__) normas, regras


6 - Numere os parênteses de acordo com a ordem dos acontecimentos no texto.

a) (____) Todos ficaram encantadíssimos com o cachorrinho.

b) (____) A família resolveu comprar um cachorrinho para o menino.

c) (____) À medida que o tempo passava, o cachorrinho foi se tornando um

membro da família e até sentava-se à mesa.

d) (____) O único fato que contrastava com sua inteligência e o colocava na

condição de animal era que molhava os tapetes e as almofadas.

e) (____) O animalzinho se adaptou facilmente ao convívio com a família.


7 - Retire do primeiro parágrafo a pergunta com a qual a autora se dirige ao leitor.


8 - De acordo com a descrição que a autora faz do cachorrinho, vamos fazer uma

ficha com suas características.

a) raça:

b) tamanho:

c) cor:

d) pêlo:

e) focinho e corpo:

f) orelhas:

g) rabo:

Você deve ter observado que nesse texto a intenção da autora é descrever o

comportamento do cachorrinho no convívio familiar e apresentá-lo fisicamente.

As características físicas ( aquilo que é externo, que está fora ) são percebidas

pela visão, audição, tato, paladar e olfato. Já as características psicológicas ( aquilo que é

interno ) retratam os aspectos emocionais de uma pessoa.

Vejamos como esse jeito de escrever foi utilizado no texto.



Responda as questões de 1 a 7.

1 - Qual a diferença entre brinquedo mecânico e o cachorrinho, segundo o texto ?


2 - Na descrição, usa-se muito o recurso da comparação para caracterizar melhor o

que estamos descrevendo. No texto, com o que e com quem o animalzinho é

comparado ?


3 - Os animais não apresentam características psicológicas, e sim de

comportamento. Qual o comportamento do cachorrinho a partir do momento que

chegou à nova morada ?


III - Conversando sobre o texto.

4 - A autora descreve muito pouco o ambiente e a família com a qual o

cachorrinho foi morar. Observe com atenção todos os detalhes que o texto

fornece e responda.

Qual é a classe social da família ? Por quê ?


5 - Quando o cachorrinho chegou, puseram-lhe nome.Que nome você daria a ele ?


6 - Você concorda que o cachorro é o melhor amigo do homem ? Justifique.


7 - Como você imagina o menino do texto quanto ao

a) aspecto físico ?


b) aspecto psicológico


8 - Assinale a opção correta. Qual era o comportamento do animalzinho com as

visitas ?

a) (__) raivoso, bravo

b) (__) indiferente, não ligava para nada

c) (__) alegre, contente

9 - Assinale a opção correta. O cachorrinho do texto é descrito

a) (__) pelo menino.

b) (__) pelos pais.

c) (__) pelo descritor do texto.

10 - Explique a frase: "Os brinquedos, afinal, são máquinas e acabam por enfastiar."


11 - Você concorda que um cachorro possa ocupar, dentro de casa, o lugar de uma

pessoa ? Justifique sua resposta.


12 - Que outro título você daria ao texto ?



Bullying: brincadeiras que ferem

Bullying: brincadeiras que ferem

Ameaças, agressões, humilhações... a escola pode se tornar um verdadeiro inferno para crianças que sofrem nas mãos de seus próprios colegas, ainda mais nos dias de hoje, em que a internet pode potencializar os efeitos devastadores do bullying. Você sabe o que é isso? Onde e como ele ocorre?

Você já ouviu falar de bullying? O termo em inglês pode causar estranhamento a muita gente, mas as atitudes agressivas intencionais e repetitivas que ridicularizam, agridem e humilham pessoas – tão comum entre crianças e jovens – é muito familiar a todos. A palavra inglesa 'bully' significa valentão, brigão. Atos como empurrar, bater, colocar apelidos ofensivos, fazer gestos ameaçadores, humilhar, rejeitar e até mesmo ameaçar sexualmente um colega dentro de uma relação desigual de poder, seja por idade, desenvolvimento físico ou relações com o grupo são classificados como bullying. O problema pode ocorrer em qualquer ambiente social – em casa, no clube, no local de trabalho etc –, mas é na escola que se manifesta com mais freqüência. (...)
O Bullying é um problema mundial, encontrado em qualquer escola, não se restringindo a um tipo específico de instituição. Esse 'fenômeno' começou a ser pesquisado há cerca de dez anos na Europa, quando se descobriu que ele estava por trás de muitas tentativas de suicídio entre adolescentes. Geralmente os pais e a escola não davam muita atenção para o fato, que acreditavam não passava de uma ofensa boba demais para ter maiores conseqüências. No entanto, por não encontrar apoio em casa, o jovem recorria a uma medida desesperada. E no Brasil a situação não é diferente.(...)
Quem já não teve um apelido ofensivo na escola? Ou mesmo sofreu na mão de um grupo de colegas que o transformava em 'bode espiatório' de brincadeiras no colégio? Exemplos não faltam. Entre alguns deles está o da gaúcha Daniele Vuoto, que conta toda a sua história em um blog onde também discute sobre o assunto e troca experiências com outras vítimas desse tipo de agressão, psicológica, física e até de assédio sexual. (...)
"O aluno alvo de bullying se culpa muito pelo que acontece, e é preciso esclarecer isso: um aluno que agride outro, na verdade, também precisa de ajuda, pois está diminuindo o outro para se sentir melhor, e certamente não é feliz com isso, por mais de demonstre o contrário. A turma entra na onda por medo, não por concordar. Enxergar a situação dessa forma pode ajudar muito", conta Daniele.
Porém, a realidade de vítimas que 'sofrem em silêncio', como Daniele explica em seu blog, está mudando. Além de atitudes como a da estudante, em que pessoas utilizam a internet para procurar ajuda e trocar experiências, o assunto vêm ganhando corpo e se tornando pauta de veículos de comunicação de massa, a exemplo das matérias veiculadas no Jornal Nacional, da Rede Globo, e em discussões como a realizada no programa Happy Hour, do canal a cabo GNT. (...)

(Disponível em: http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=revista_educarede.especiais&id_especial=361. Acesso:22 agosto 2010)

Trabalhando com o texto

1. Como o autor define bullying?
2. Por que o termo foi utilizado em inglês?
3. Segundo o texto, esse tipo de atitude precisa ser seriamente enfrentado. Qual sua opinião?
4. Você acredita que o bullying existe na escola apenas pelo fato de que as crianças são diferentes entre si? Explique.
5. Que soluções você apontaria para o problema?
6. Em algum momento, na nossa escola, você se sente vítima de bullying? Justifique sua resposta.
7. Você conhece ou já ouviu falar de alguém na nossa escola, vítima de bullying?


MÚSICA - BRASIL

BRASIL

(Cazuza, George Israel e Nilo Romero,LP Vale Tudo, Som Livre, 1988)

Não me convidaram

Pra essa festa pobre

Que os homens armaram

Pra me convencer

A pagar sem ver

Toda essa droga

Que já vem malhada

Antes d’eu nascer

Não me ofereceram

Nem um cigarro

Fiquei na porta

Estacionando os carros

Não me elegeram

chefe de nada

o meu cartão é uma navalha

Brasil

Mostra a tua cara

Quero ver quem paga

Pra gente ficar assim

Brasil

Qual é o teu negócio

O nome do teu sócio

Confia em mim

Não me sortearam

A garota do fantátisco

Não me subornaram

Será que é meu fim?

Ver tv a cores

Na taba de seu índio

Programada pra só dizer sim

Grande pátria desimportante

Em nenhum instante

Eu vou te trair



Estudo do Texto

1. Qual o significado das palavras abaixo de acordo com o texto da poesia?

a) armaram

b) malhada

c) subornaram



  1. Segundo a visão dos autores e considerando o conteúdo geral da letra, quem estaria reclamando de não ter sido convidado para a festa?



  1. A que festa o poeta se refere quando afirma: “Não me convidaram pra essa festa pobre…”?



  1. A que homens o poeta se refere quando afirma: “…os homens armaram…”?



  1. O que pode significar os versos: “…a pagar sem ver / toda essa droga / que já vem malhada / antes d’eu nascer…”?



  1. Apesar do poeta não ter sido convidado para a festa, ele ficou nos arredores do local estacionando os carros. Explique o significado dos versos: “…não me ofereceram / nem um cigarro / fiquei na porta / estacionando os carros…”



  1. Explique o significado dos seguintes versos: “o meu cartão de crédito / é uma navalha”.



  1. Observando a segunda estrofe, o que significa o apelo feito no ultimo verso: “confia em mim”?



9. Nos três últimos versos da 3ª estrofe, há uma crítica à televisão. Que crítica é esta?

ver tv a cores / na taba de seu índio / programada pra só dizer sim”





Gabarito

Questão 1.

a) planejaram, organizaram

b) que tem manchas

  1. induziram ou levaram alguém, mediante recompensas ou promessas, a não cumprir o dever ou a praticar ações ilegais ou injustas. No texto, o poeta constata que não foi subornado e que por causa disso acha que será o seu fim como cidadão.


Questão 2. O povo que vive no Brasil, ou seja, os brasileiros.


Questão 3. Refere-se à festa da democracia, ou melhor à eleição que aconteceu com o povo pedindo “Diretas já!”. O que aconteceu foi a eleição de Tancredo Neves pelo Congresso Nacional, sem a participação do povo como é feito atualmente. Fala em festa pobre porque o poeta considera que não houve participação popular nessa escolha.


Questão 4. O poeta considera que não havendo participação popular na escolha do Presidente da República, essa decisão, definida por um pequeno grupo de pessoas (Congresso Nacional) era uma farsa planejada com o intuito de esconder algo do povo.


Questão 5. Toda festa requer gastos, sejam financeiros, sejam materiais, sejam pessoais (esforço físico, psicológico, mental). Alguém tem que pagar por isso. O poeta reclama que o pagamento por uma festa com defeito (com manchas) foi feito pelo povo e seus descendentes.


Questão 6. A festa foi feita, mas o povo não participou dela. Apenas ficou como espectador, trabalhando para manter o país organizado.


Questão 7. Na década de 80, o Brasil enfrentou uma inflação profunda na economia. O dinheiro brasileiro perdia seu valor diariamente: era como uma navalha que feria o poder de compra do consumidor. Por isso o poeta usa a expressão: “o meu cartão de crédito é uma navalha…”. Cada vez que alguem ia às compras sentia no bolso o corte do valor do dinheiro.


Questão 8. Pede que a nação constituída e organizada confie em seu povo para resolver os problemas.


Questão 9. A influência da televisão na cultura e opinião das pessoas através dos programas que, às vezes, não eram isentos, isto é, mostrava apenas um lado do fato, da notícia.




ALMAS PERFUMADAS

ALMAS PERFUMADAS


Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta,
de sol quando acorda,
de flor quando ri.

Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas,
a gente se sente comendo pipoca na praça,
lambuzando o queixo de sorvete,
melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro e a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.
e
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus,
de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas,
a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas,
a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo,
sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas,
pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas,
a gente não acha que o amor é possível,
a gente tem certeza.
Ao lado delas,
a gente se sente visitando um lugar feito de alegria,
recebendo um buquê de carinhos,
abraçando um filhote de urso panda,
tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas,
saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa,
do brinquedo que a gente não largava,
do acalanto que o silêncio canta, de passeio no jardim.
Ao lado delas,
a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro
e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo,
corre em outras veia pulsa em outro lugar.
Ao lado delas,
a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco,
juntinho ao nosso lado e a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente, COMO VOCÊ,
que nem percebe como tem a alma perfumada!
E que esse perfume é dom de Deus.


Autor desconhecido

A PROPÓSITO DE SER PROFESSOR

JÔ SOARES, A PROPÓSITO DE SER PROFESSOR…

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de “barriga cheia”.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um “Adesivo”.
Precisa faltar, é um “turista”.
Conversa com os outros professores, está “malhando” nos alunos..
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve pouco, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a “língua” do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou “água-benta”.
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Produção Textual - A Pulga

PRODUÇÃO DE TEXTO:

A PULGA

1- Transformar o texto numa história em quadrinhos:

Que intimidades a atrevidinha se permite! Pergunto mesmo: Haverá no planeta alguém mais sem cerimônia? Pois ela invade nossos mais guardados territórios com a afoiteza, a temeridade de um camicase. Trafega por eles como se estivesse na sua própria casa _ e, na verdade, somos uma de suas casas. Crava-nos sua agulha se sucção como se fôssemos flor de alguma abelhinha vampira. Seu maior mal não é a fisgada que dá, pois o que nos rouba é pouco; seu maior mal é ser promíscua, excessivamente inconstante e passeadeira, amiga de ratos, gatos, madames, senadores, cães, esgotos, palácios, teatros ordinários. A pulga é uma excursionista sem programa: agora está na braguilha de um hortelão que leva à cidade o produto de sua horta, logo mais já está a caminho de São Paulo no cós da calça de um comerciante, amanhã vai para Roma na dobra de uma batina. E que atleta respeitável, ela que, tendo perdido as asas na poeira dos tempos, pula cem vezez o próprio tamanho e desloca um volume cem vezes maior que o próprio peso. E que atleta moderada na mesa: uma refeição de sangue lhe basta para dois dias e andaram descobrindo que pode jejuar até por dezoito meses, façanha de já se invejar no cotidiano, quanto mais nos tempos de apertura. Não chega a ser, como se vê, um monstro _ o mais que ela faz é ser inquieta e intrometida. John Donne não a defendeu mal diante da amada: "Que crime cometeu a pulga incauta salvo a mínima gota que lhe falta?" Não sei se o poeta pensava, mas eu penso: há tanta gente chupando nosso sangue, merecendo nossa unha...
Autor desconhecido


SUGESTÕES DE ATIVIDADES:

1- SUBSTITUA AS PALAVRAS NEGRITADAS POR UM SINÔNIMO:


A pulga invade nossos territórios com a afoiteza, a temeridade de um camicase.
Seu mal não é a
fisgada que dá, mas é ser promíscua e inconstante.
É uma
excursionista. Às vezes está na braguilha de um hortelão.
É
moderada. Faz a façanha de jejuar até dezoito meses.
Que crime cometeu a pulga
incauta?

2- ESCREVA NO PLURAL:


A pulga atrevida viajou para Roma.
Um hortelão leva à cidade o produto de sua horta.
Trafega por nossos territórios como se estivesse em sua própria casa.
É uma excursionista.
Crava-me sua agulha de sucção como se eu fosse uma flor.

3- COPIE DO TEXTO:


As palavras com acento agudo e as palavras com acento circunflexo.

4- EXERCITANDO O TEXTO:


Quais os adjetivos atribuídos à pulga?

POR QUE A PULGA É:
- Sem cerimônia?
- Uma excursionista
- Uma atleta moderada?
- Uma atleta?

Relacione os amigos da pulga.

Explique o que disse o poeta:


"Que crime cometeu a pulga incauta
Salvo a mínima gota que te falta?"

Qual a intenção do autor quando afirma:
"Há tanta gente chupando nosso sangue, merecendo nossa unha..."?

O Texto condena ou inocenta a pulga?

A Princesa e o Sapo

A Princesa e o Sapo

Era uma vez uma bondosa princesa muito bonita, de cabelos longos e louros que vivia num reino muito distante. Um dia sem querer, a princesa deixou cair uma bola dentro de um lago. Pensando que a bola estivesse perdida, começou a chorar.

-Princesa, não chore. Vou devolver a bola para você. - disse um sapo.

-Pode fazer isso? - perguntou a princesa.

-Claro, mas, só farei em troca de um beijo.

A princesa concordou. Então, o sapo apanhou a bola, levou-a até os pés da princesa e ficou esperando o beijo. Mas, a princesa pegou a bola e correu para o castelo. O sapo gritou:

-Princesa, deve cumprir a sua palavra!

O sapo passou a perseguir a princesa em todo lugar. Quando ia comer, lá estava o sapo pedindo a sua comida. O rei, vendo sua filha emagrecer, ordenou que pegassem o sapo e o levassem de volta ao lago. Antes que o pegassem o sapo disse ao rei:

-Ó, Rei, só estou cobrando uma promessa.

-Do que está falando, sapo? Disse o rei, bravo.

-A princesa prometeu dar-me um beijo depois que eu recuperasse uma bola perdida no lago.

O rei, então, mandou chamar a filha. O rei falou à filha que uma promessa real deveria ser cumprida. Arrependida a princesa começou a chorar e disse que ia cumprir a palavra dada ao sapo. A princesa fechou os olhos e deu um beijo no sapo, que logo pulou no chão. Diante dos olhos de todos, o sapo se transformou em um belo rapaz com roupas de príncipe.

Ele contou que uma bruxa o havia transformado em sapo e somente o beijo de uma donzela acabaria com o feitiço. Assim, ele se apaixonou pela princesa e a pediu em casamento. A princesa aceitou. Fizeram uma grande festa de casamento, que durou uma semana inteira. A princesa e o principe juntaram dois reinos e foram felizes para sempre.


Momento de Reflexão


1) O que o Sapo pediu em troca para recuperar a bola da princesa?

  1. O Sapo ganhou o que pediu pela ajuda dada à Princesa?

  2. Qual foi a reação do Rei perante a promessa quebrada pela Princesa?

  3. Porque a Princesa não cumpriu o prometido?

  4. Qual foi o final do conto?

  5. Quais aspectos são semelhantes ao conto do “Shrek”? E quais as diferenças?

A mulher que matou os peixes

A Mulher que Matou os Peixes

Meu filho foi viajar por um mês e mandou-me tomar conta de dois peixinhos vermelhos dentro do aquário.
Mas era tempo demais para deixarem os peixes comigo. Não é que eu não seja de confiança. Mas é que sou muito ocupada, porque também escrevo histórias para gente grande.
E assim como a mãe ou a empregada esquecem uma panela no fogo, e quando vão ver já se queimou toda a comida – eu estava também ocupada escrevendo história. E simplesmente fiz uma coisa parecida co deixar a comida queimar no fogo: esqueci três dias de dar comida aos peixes! Logo aqueles que eram tão comilões, coitados.
Além de dar comida, eu devia sempre trocar a água do aquário, para eles nadarem em água limpa.
E a comida não era qualquer uma: era comprada em lojas especiais. A comida parecia um pozinho horrível, mas devia ser gostoso para peixe porque eles comiam tudo.
Devem ter passado fome, igual gente. Mas nós falamos e reclamamos, o cachorro late, o gato mia, todos os animais falam por sons. Mas peixe é tão mudo como uma árvore e não tinha voz para reclamar e me chamar. E, quando fui ver, estavam parados, magros, vermelhinhos – e infelizmente já mortos de fome.
Vocês ficaram muito zangados comigo porque eu fiz isso? Então me dêem perdão. Eu também fiquei muito zangada com a minha distração. Mas era tarde demais para eu lamentar.
Eu peço muito que vocês me desculpem. Dagora em diante nunca mais ficarei distraída.
Vocês me perdoam?

CLARICE LISPECTOR

  1. RESPONDA:
    a) Quem conta a história?


b) Qual era a profissão da mulher?


c) Como ela devia cuidar dos peixes?


d) Por que ela se esqueceu de dar comida aos peixes?


e) Como ela se sentiu depois que os peixes morreram?


f) Para quem ela pede perdão pela morte dos peixes?

2) Use a sua imaginação e responda em seu caderno:


a) Como você imagina a mulher que deixou os peixes morrerem?


b) Você perdoaria a mulher? Por quê?


c) Você conhece outros livros dessa escritora?


d) Que outro título você daria para essa história?

A Magia dos Velhos Brinquedos

A MAGIA DOS VELHOS BRINQUEDOS


Hoje em dia a televisão anuncia, com insistência, brinquedos incríveis, sofisticados, coloridos,auto-suficientes. Barulhentos e caros. Uma tentação para qualquer criança.

Mas, com a mesma intensidade com que atraem a criança, são deixados de lado após serem manipulados, no máximo durante uma semana. É que a maioria deles dispensa a colaboração da criança. Esta precisa apenas apertar um botão e ver a máquina maravilhosa funcionar por si mesma. Está tudo previsto e certo, como um programa de televisão. Só tem um defeito: cansa.

Por outro lado, quem nos explica a magia dos velhos brinquedos e brincadeiras que sobreviveram a nossos bisavós, avós, pais e chegam a nós ainda fascinantes?

Que fada ou duende inventou o pião, a pipa, as bolas de gude, os jogo da amarelinha, o bilboquê, os cubos de montar e inventar, o barro para modelar coisas e sujar crianças, a roda, o esconde-esconde?

Quem descobriu essas brincadeiras que nunca enjoam?Foi a a televisão? Foram os engenheiros das fábricas de brinquedos? Não. Foram as próprias crianças através dos séculos. Uma herança que deve ser transmitida às crianças futuras. Afinal, brincar sempre é preciso..

Maria Helena Correa



INTERPRETAÇÃO DO TEXTO:



  1. Por que os brinquedos são deixados de lado rapidamente?



2) Quem descobriu as brincadeiras que nunca enjoam?



3) Você concroda com a afirmação: “ Afinal, brincar semprr é preciso...” Justifique sua respostas.


4) Você já participou de algumas bincadeiras citadas no quarto parágrafo do texto? Quais?



5) Que tipos de brinquedos a televisão anuncia hoje em dia?



Marque: (A) ditongo (B) hiato ( C ) tritongo


( ) quão ( ) ânsia ( ) gaúcho

( ) véu ( ) Paraguai ( ) doação

( ) comia ( ) maresia

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A descoberta do mundo

A descoberta do mundo

O que eu quero contar é tão delicado é tão delicado quanto a própria vida. E eu queria poder usar delicadeza que também tenho em mim, ao lado da grossura de camponesa que é o que me salva.
Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em aprender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce , estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo aliás atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. Ou será que eu adivinhava mas turvava minha possibilidade de lucidez para poder, sem me escandalizar comigo mesmo, continuar em inocência a me enfeitar para os meninos? Enfeitar-me aos onze anos de idade consistia em lavar o rosto tantas vezes até que a pele esticada brilhasse. Eu me sentia pronta, então. Seria minha ignorância um modo sonso e inconsciente de me manter ingênua para poder continuar, sem culpa, a pensar nos meninos? Acredito que sim. Porque eu sempre soube coisas que nem eu mesma sei que sei.
As minhas colegas de ginásio sabiam de tudo e inclusive contavam anedotas a respeito. Eu não entendia mas fingia compreender para que elas não me desprezassem e à minha ignorância.
Enquanto isso, sem saber da realidade, continuava por puro instinto a flertar com os meninos que me agradavam, a pensar neles. Meu instinto precedera a minha inteligência.
Até que um dia, já passados os treze anos, como se só então eu me sentisse madura para receber alguma realidade que me chocasse, contei a uma amiga íntima o meu segredo: que eu era ignorante e fingira de sabida. Ela mal acreditou, tão bem eu havia fingido. Mas terminou sentindo minha sinceridade e ela própria encarregou-se ali mesmo na esquina de me esclarecer o mistério da vida. Só que também ela era um amenina e não soube falar de um modo que não ferisse a minha sensibilidade de então. Fiquei paralisada olhando para ela, misturando perplexidade, terror, indignação, inocência mortalmente ferida. Mentalmente eu gaguejava: mas por quê? Mas por quê? O choque foi tão grande – e por uns meses traumatizante – que ali mesmo na esquina jurei alto que nunca iria me casar.
Embora meses depois esquecesse o juramento e continuasse com meus pequenos namoros.
Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amo. Esse adulto saberia como lidar com uma alma infantil sem martirizá-la com a surpresa, sem obrigá-la a ter toda sozinha que se refazer para de novo aceitar a vida e os seus mistérios.
Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continua intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.


( Clarice Lispector. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro, Rocco. p. 113-115)


Compreensão e Interpretação de Texto

1.Como a narradora faz sua própria descrição?


2.Por que o título do texto é “A descoberta do mundo”? Explique?

3. De acordo com o contexto em que está inserido, a que a narradora-personagem se refere quando menciona “os fatos da vida”?


A Consulta

A CONSULTA

(Domingos Pellegrini)


Nosso herói, Coitado de Tal, é um trabalhador doente, com dores constantes. Já procurou terreiro, curadores, tomou chás, fez “simpatias”. Agora, vai tentar a medicina. Está diante de um médico, no consultório. Conseguirá a cura para o seu mal? Leia o texto teatral para saber.


1. Doutor: Bom dia. (Examina rapidamente a ficha de Coitado, que uma secretária trouxe) Coitado de Tal – confere, seu Coitado?

2. Coitado: Sou eu mesmo, doutor.

3. Doutor: Quarenta e dois anos, casado, rua 1º de Maio – confere?

4. Coitado: Confere, doutor, sou eu mesmo.

5. Doutor: Porque tem muito Coitado de Tal no fichário, pode confundir.

6. Coitado: Mas por falar em coitado, doutor, eu vim aqui porque…

7. Doutor: O senhor pode ficar à vontade. (Faz Coitado sentar ao lado de uma máquina registradora) Muito bem, vamos com isso – o que é que o senhor sente, seu Coitado?

8. Coitado: Bom, doutor, eu sinto que estou morrendo.

9. Doutor: Muito bem, então o senhor sente que está morrendo. Todo dia, seu Coitado?

10. Coitado: Todo dia, doutor. Tem dia que eu acho até que já morri, de tanta dor e fraqueza.

11. Doutor: Acha que já morreu, muito bem. O senhor precisa ver um médico da cabeça, seu Coitado, um psiquiatra. Vou dar o endereço de um para o senhor. (Aciona a manivela da caixa registradora, tira um cartão da gaveta) O senhor entregue a ele este cartão, diga que fui eu quem mandei.

12. Coitado: Muito obrigado, doutor – mas o senhor acha que o caso é na cabeça?

13. Doutor: Não se incomode, seu Coitado, que o senhor já morreu. Mas me diga: e a urina?

14. Coitado: Pois é, doutor, a urina…

  1. Doutor: Era o que eu pensava – vou indicar pro senhor um especialista em urina, um

urologista. (Retira mais um cartão da registradora, entrega a Coitado) E as tonturas, seu Coitado?

16. Coitado: Que tontura, doutor?

17. Doutor: O senhor não disse que sente umas tonturas?

18. Coitado: Deve ter sido outro coitado, eu não, doutor.

19. Doutor: O senhor não deve esconder nada do médico, eu estou aqui para ajudar o senhor.

20. Coitado: Pois é, doutor, mas…

21. Doutor: Se o senhor me sonega alguma informação eu não posso estruturar o quadro clínico simplesmente porque foi solapada a anamnese, e o levantamento sindromático é base do quadro clínico. Toda a moderna medicina está pautada no relacionamento médico-paciente, entre os quais a confiança é fundamental.

22. Coitado: O senhor tem razão, doutor, eu… eu não sabia que estava tão ruim.

23. Doutor: Então só me responda sim ou não, por favor.

24. Coitado: Tá certo, doutor, mas é que com tanta pergunta eu fico até meio tonto…

25. Doutor: Ah! Que tipo de tontura, seu Coitado?

26. Coitado: O senhor quem sabe, ué, doutor.

27. Doutor: Não, não sei, seu Coitado, isto requer um especialista – vou indicar para o senhor um ótimo neurologista. (Retira um cartão da registradora, entrega a Coitado) E o apetite vai bem?

28. Coitado: O meu, doutor? Nem me fale…

  1. Doutor: Não vou falar nada mesmo, seu Coitado, quem vai falar é um especialista –

vou indicar um ótimo apetitista para o senhor. (Outro cartão)

30. Coitado: Muito obrigado, doutor, mas o que eu sinto mesmo…

31. Doutor: Com um bom tratamento o senhor não vai sentir mais nada. Rapidamente levanta a camisa de Coitado e lhe escuta as costas com o estetoscópio. Respire fundo.

32. Enfermeira: Telefone da clínica, doutor.

  1. Doutor :Transfere o estetoscópio para o peito de Coitado .O senhor segura isto aqui no

peito, assim, e vai respirando fundo. O doutor sai. Coitado fica segurando o estetoscópio no peito e respirando fundo. Depois de algum tempo, o doutor volta, retira o estetoscópio.

34. Doutor: Muito bem, seu Coitado. Abra a boca e os olhos bem abertos. Examina boca e olhos ao mesmo tempo. Faz Coitado deitar rapidamente, lhe enfia o termômetro na boca, enquanto lhe apalpa a barriga e lhe dá pancadinhas com os dedos e marteladas nos joelhos. Sente alguma coisa, seu Coitado? Dói aqui? O que é que o senhor sente quando aperto aqui? E me diga uma coisa: o senhor bebe muito?

35. Coitado: Eu…

36. Doutor: Então o senhor controla a bebida, seu Coitado, controla para seu próprio bem. Pode levantar.

37. A enfermeira entra rapidamente estão chamando da clínica, doutor.

38. Doutor: Vou receitar uns medicamentos e vai escrevendo a receita, mas o senhor não deve deixar de seguir as outras orientações.

39. Coitado: Mas, doutor, eu queria saber…

40. Doutor: O senhor não se incomode que isso vai passar, na vida tudo passa. O senhor volte aqui me trazendo um relatório de cada um dos especialistas que indiquei, e mais resulktados de raio-x e dos outros exames que eles pedirem, de sangue, de urina, de fezes, eletroencefalograma, etc.

41. Coitado: Mas até lá eu posso estar morto, doutor…!

42. Doutor: O senhor já morreu demais, seu Coitado.


Após a leitura do texto , responda a estas questões:


1) Que diferença há entre doutor e médico?


2) Nas frases abaixo foi usada a palavra “simpatia” com significados diferentes. Dê o significado da palavra usada em cada frase.


a) A simpatia dessa mulher me faz esquecer que ela é muito feia.


b) Tomara que dê certo a simpatia que ela ensinou.


3) No texto , há dois instrumentos médicos: estetoscópio e termômetro. Para serve cada um deles?


4) O paciente não entendeu a fala do médico (parágrafo 21) e supôs que, pelo palavreado, estivesse muito mal. Como você daria essa mesma explicação de modo que o paciente entendesse?



5) Podemos afirmar que o paciente procurou o médico tão logo percebeu sintomas de doença? Explique.



6)Dando ao paciente o nome de Coitado de Tal, o autor pretendeu:


a. ( ) demonstrar que as tentativas de cura fora da medicina maltratam as pessoas.

b. ( ) fazê-lo representar qualquer pessoa, sem lhe atribuir individualidade.

c. ( ) evitar que o nome coincidisse com o de qualquer outra pessoa e a melindrasse.

d. ( ) deixar claro que todos os doentes são iguais e merecem tratamentos iguais.


7) Que especialistas o médico indicou ao paciente?


8) No Parágrafo 22, Coitado de Tal disse: “eu não sabia que estava tão ruim”. O que o fez pensar assim?


9) A enfermeira interrompeu a consulta duas vezes para anunciar chamado da clínica. O modo de agir do médico nas duas ocasiões insinua que ele:


a. ( ) resolvia os casos de sua clínica por telefone, em horário de atendimento aos pacientes.

b. ( ) dava prioridade a quem o procurava pessoalmente.

c. ( ) considerava inoportunos os telefonemas da clínica.

d. ( ) se preocupava muito mais com sua clínica particular.


10) A caixa registradora é um elemento estranho a um consultório médico. Por que o autor a incluiu no texto?


11) Na sua opinião, a medicina é um comércio ou apenas há médicos que fazem da medicina um comércio? Explique.



GABARITO:




1)Doutor – aquele que se formou numa universidade e recebeu a mais alta graduação após haver defendido uma tese (doutorado).

Médico – aquele que estudou qualquer área da medicina e a exerce.


2)

a) atitude amável no trato com as pessoas, tendência instintiva de aceitação entre as pessoas.

b) Ritual para prevenir ou curar enfermidades ou atrair objeto de desejo.



3)Estetoscópio – serve para ampliar e ouvir sons internos do corpo humano como batidas do coração e a entrada e saída do ar nos pulmões.

Termômetro – serve para medir a temperatura interno do corpo humano.



4) Resposta pessoal. A resposta mais óbvia é que se empregaria linguagem menos técnica e mais acessível à compreensão do paciente.



5)Não. Porque o seu Coitado afirmou que sentia que estava morrendo e todo dia sentia dor e fraqueza, sinal que esses sintomas já aconteciam a algum tempo.


6. Alternativa b.


7.Um psiquiatra, um urologista, um neurologista, um apetitista.


8. A linguagem muito técnica usada pelo médico, a qual o paciente não entendia. A explicação muito longa e confusa levou o paciente a achar que estava muito doente.


  1. Alternativa a

10. Para indicar que a prioridade do médico era financeira e não a saúde dos pacientes.


11. Resposta pessoal. Qualquer que seja a resposta, deverá apresentar argumentos plausíveis à afirmação, isto é, situações que comprovam a afirmação.